Ontem a Victoria fez três anos. Como o tempo foi passar tão rápido? Parece que foi ontem também que eu descobri que estava grávida, escolhendo o enxoval e tentando entender como eu ia equilibrar a minha vida ocupada com o nascimento de uma filha.
E hoje, tudo o que eu consigo pensar é no quanto o tempo está voando e como eu queria voltar no passado e ter a minha recém-nascida nos meus braços. Mesmo naquele perrengue todo de não dorme, não faz cocô, mama livre demanda, não tem tempo nem de tomar banho… Sabe, aquele período? As pessoas falam que a gente esquece, mas eu ainda me lembro de tudo e, secretamente, morro de saudades.
Só que ela cresceu. E a cada dia que passa é mais um capítulo na nossa vida e convivência. E a gente tem que se adaptar, né? Só que eu acho que ela está crescendo em um ritmo exponencialmente maior do que eu consigo acompanhar.
Em janeiro, quando viajei de férias, fiz aquilo que já havia feito antes: comprei pacotes e mais pacotes de bodies, de todos os tipos de manga, cores e estampas. Tudo isso pra chegar em casa e me dar conta de que a Victoria estava desfraldando e body não era mais uma opção. Resultado: manda tudo pra costureira transformar em camisetas.
Ela também nunca foi de assar muito, mas em cada viagem eu fazia um pequeno estoque de Desitin. Resultado: estou no primeiro tubo desde o início do ano, então peguei todos os outros 8 tubos e saí mandando de presente para as amigas com bebês pequenos.
E as roupas? Quando eu percebo, a menina já cresceu mais 5 centímetros. As calças que eu ainda ia mandar fazer bainha já estão quase pescando siri, e sim, o pé já cresceu mais um número e está na hora de comprar novos sapatos. Será que se eu comprar uns 2 números acima eu consigo resolver colocando algodão na frente?
Mas o mais impressionante é o raciocínio e a lógica. Há pouco tempo atrás, Victoria se chamava de Totola. E era assim que a gente a chamava. Só que faz um tempo que ela já sabe o nome dela corretamente, pronunciando R e tudo o mais. E eis que eu, mãe distraída, chamei: “Totola, amor, vem jantar!”. Chega o cotoco de gente do meu lado e diz, enfatizando o R: “Mamãe, meu nome não é mais Totola. É Victoria!”.
Agora pra dormir não tem mais peito que acalma. Ela pegou a chupeta aos 2 anos e meio. E outro dia, quando me viu sem camisa, quis experimentar mamar no peito. Eu deixei, ela tentou e falou “Eca!”. Quase chorei.
A creche, a pracinha, os amigos. Tudo é referência. Já se foi o dia em que eu era o único exemplo. Agora ela quer um patinete igual ao da Marina; ela não tem mais medo do escorrega alto, porque o Leo a ajudou a descer; ela brinca de professora e conta histórias pras bonecas (que ela chama de filhas) em livros que ela já decorou de tão manuseados; ela reclamou que a amiga da creche não quis emprestar a boneca no dia da novidade.
E agora isso. Ela fez três anos. Vai ter festa, de tema sugerido por mim e abraçado por ela. A festa é menos pra nossa família e amigos, e totalmente voltada pra ela e pros amigos dela. Ela já sabe que tem bolo, vela, presentes, pula-pula e docinhos. Como assim? Como ela aprendeu a elaborar essa lista de itens indispensáveis pra uma festa de aniversário?
A verdade é que a vida está corrida e o tempo está mesmo passando muito rápido. Você acorda para trabalhar e quando vê já está em casa colocando criança pra dormir. Você ainda pensando se seu bebê está ou não oficialmente desfraldado de dia e já tem gente te lembrando de que daqui a pouco começa a fase do desfralde noturno.
E ontem, olhando dois minutinhos para o nosso passado, enquanto celebrávamos os seus três anos, tanta coisa mudou. Parece que tudo aconteceu. Coisas boas e ruins. Felizes e muito tristes. E nesse meio tempo, ela deixou de ser bebê pra se tornar uma criança linda, extrovertida, inteligente e companheira.
Pisquei. Já tá na hora de comprar o material escolar pra alfabetização?
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