Mundo Ovo

Vale tudo quando o filho não quer comer?


Meu filho é uma delícia de menino, um aventureiro gastronômico. Quem o conhece sabe que lanchinho e fast food nunca foram escolha, só em caso de necessidade extrema; ele sempre preferiu um bom prato de arroz com feijão ou risoto 🙂

Em recente viagem, passei por situação que nunca imaginei ser possível tão cedo. Fomos para a Califórnia que, apesar de ser um destino frequente, deixa o fuso da gente bastante confuso. São menos 6 horas do horário daqui do Brasil. Para a gente que é adulto é um baque, o corpo pede para dormir ainda com o dia claro e a gente vai segurando o quanto dá, imagina então para o pequeno, ele dormia às 17h para acordar às 3h da madruga. Se o sono complicou, você pode imaginar como ficou a alimentação … Acho que só uma “mãe nutricionista” pode avaliar meu desespero.

Apesar de estarmos em um apartamento e com tudo à mão para preparar refeições caseiras, meu filho se alimentou de mamadeira e biscoito Goldfish por quase uma semana. Eu sei que podia ter sido pior, mas para mim foi um pesadelo. Conseguimos com algum tato e muito suor oferecer queijo em alguns momentos do dia e depois acho que como evolução natural, ele pediu “none”. Para quem ainda não juntou o none com o da, o meu filho pedia por danone, o que na verdade, na maioria das vezes é qualquer iogurte que ele goste.

Meu marido voltou do mercado munido de todo o tipo de “none” que pudesse agradar o pequeno e aliviar o meu sofrimento (que a essa altura era choro em quase toda refeição). Para encurtar a história, achamos o “danoninho” americano, que atende pelo nome de Dan-o-nino. Achava que estaria salva, o mesmo dinossauro, o mesmo potinho e eu já nem me importava com um tanto de corante e uma dose extra de açúcar.

Pega colher, coloca o menino sentado no chão mesmo. Abrimos o potinho, suspense e surpresa! Ouvimos uma vozinha que diz: “Esse não é “none” mamãe!” Eu chorei, o pai insistia – “Filho, é “none” sim!!! Prova.” E meu filho recusou o alimento por causa da diferença de cor do produto brasileiro, dá para acreditar?

Não é de hoje que sou super contra corantes onde não precisa. Se a quantidade de morango não foi suficiente para deixar o iogurte rosa choque (exagero), por que diachos se vai lá colocar o corante carmim – não importa se natural, pior ainda, artificial! O Dan-o-nino é de um rosa bem discreto, resultado de mistura de suco da fruta com betacaroteno.

Pesquisando, descobri que na França também é assim. Ao chegar de volta ao Brasil, entrei em contato com o SAC da Danone para saber o motivo de tão grande diferença na composição (ingredientes) de um mesmo produto, tendo em vista que a parte nutricional (como mostra o quadro abaixo) é praticamente a mesma.

Recebi uma ligação do SAC em menos de 72 horas, ponto para a Danone. Após descrever o acontecido de forma menos mãe e mais profissional de nutrição, a resposta que obtive foi que não há proibição do uso do corante natural carmim, mas que agradeciam a minha sugestão, e que esta seria encaminhada para o departamento responsável.

 

 

 

Crédito de imagem: MOEVIEW is Aaron Molina