Quando a criança está perto de fazer dois anos, pais de todo o canto tremem só de pensar: o que é que vai acontecer quando eles chegarem nos terrible twos? E quando é que passa essa rebeldia incontrolável dos nossos pequenos? Bom… já falei sobre isso aqui, e como eu esperava – tal qual Fran e Dino da Silva Sauro com seu filhote Baby – que quando Victoria fizesse três anos, tudo fosse mudar.
Quando me lembro do ano que passou me dá um arrepio na espinha. Não me leve a mal, ela é a maior delícia desse universo, mas eu estaria te enganando se dissesse que foi fácil. A bichinha é fogo na roupa e me tirou do sério muitas vezes.
E eis que ela fez três anos. Em retrospecto, acho que muita coisa mudou. Mas em compensação, em outros departamentos, acho que houve até um certo retrocesso.
O que melhorou?
Passou a dormir mais cedo – Toda noite era um sufoco. Vicky não adormecia, mas desmaiava. E até desmaiar era um estresse diário. Ela simplesmente não apagava. Eu tinha vontade de chorar toda vez que escurecia. Mas um dia ela aprendeu. Ela tinha uns dois anos e meio quando começou a se entender com a cama. Ela aprendeu a entender que tinha sono e que aquela “sensação” era sinal de que era hora de dormir. Também passou a entender os rituais (jantar, tomar banho, trocar de roupa, ler história, mamar, dormir) e a gostar de fazer as coisas nessa ordem. E verbalizava que estava com sono. E passou a dormir sem muitas delongas. Na maioria das vezes.
Melhorou a qualidade do sono – há uns seis meses atrás, mais ou menos, ela passou a dormir a noite toda. Toma uma mamadeira e dorme sem acordar atéééé de manhã. Não existe preço em uma noite bem dormida. Sério. Vocês sabem o quanto eu sofri, aqui.
Menos mamadeiras – como ela passou a dormir a noite inteira, de três a quatro mamadeiras por noite viraram uma. Sim, ela mamava loucamente, porque mamar = dormir. Se ela não conseguia dormir, ou se acordava, precisava mamar de novo.
Desfraldou de dia – O desfralde da Victoria foi light e tranquilo e ela está oficialmente desfraldada de dia. Falta começar o treino noturno e estou em pânico. Afinal a monstrinha passou a dormir. Eu não posso mexer com o balanço do universo. Mas vou partir para o ataque quando eu entrar de férias, em janeiro, e ela com 3 anos e 4 meses.
Se expressa melhor – Uma criança que consegue se expressar verbalmente é menos propensa a ter ataques de pelanca. Pelo menos essa é a teoria. Victoria fala muito, fala muito bem, de forma explicada e raciocina. Isso dito, ficou mais fácil de argumentar com ela usando lógica.
O que não mudou
Viciada em chupeta – A Victoria trocou o peito pela chupeta. Ou seja: começou a chupar chupeta aos dois anos e meio. Ridículo, eu sei. Mas essa é a minha realidade. O resultado? Nem um pouco preparada para soltar a chupeta.
Hoje, contei animadamente que uma das melhores amigas da creche tinha jogado as chupetas no lixo e já era uma mocinha. O tiro saiu pela culatra. Ela abriu o maior berreiro, insegura, dizendo que ela também já era grande. E que ela queria jogar as chupetas dela no lixo. Mas que não ia dormir sem chupeta. Foi dramático, precisei consolá-la por um longo tempo e decidi que ela pode casar de chupetas que não vou me incomodar.
Não troca a mamadeira por copo – Detesta a ideia de tomar leite em qualquer outro horário que não seja na hora de dormir. E se recusa a tomar no copo. Ficaremos assim, por enquanto.
Soneca da tarde – Na creche o sono da tarde é irregular: às vezes dorme, outras vezes não. E quando dorme é sempre a última a dormir. Em casa, nos finais de semana, dorme depois do almoço uma soneca de pelo menos uma hora. Mas, na parte da manhã, as atividades ao ar livre (praia ou pracinha) cansam a beleza da miúda.
Continua dormindo comigo – Ela só dorme se for na minha cama e, se eu estiver em casa, só dorme comigo de corpo presente. Se eu colocá-la na cama dela e calhar dela não acordar, beleza. Senão, é chororô e de volta pra minha cama. Estou num processo de refazer o quarto dela pra ver se ela pega amor.
O que piorou?
Alimentação –Victoria come muito bem, realmente bate o maior pratão. Na creche ela raramente recusa um alimento, come o que é oferecido. Mas está mais seletiva em casa, recusa todo tipo de verde no prato, inclusive tempero e de vez em quando recusa os legumes. Eu não escondo legumes e verduras no arroz ou feijão e faço um prato colorido a cada refeição. Não existem substituições. Ou ela come o que está no prato, ou não come nada. Se não comeu os legumes não ganha mais carne com arroz. Sobremesa é “sobrenome” pra fruta, que ela come sempre. E a bebida é sempre água. Se vou ser bacana e oferecer uma fatia de bolo ou uma besteira, o nome disso não é sobremesa, é “surpresa” que é ocasional e não está atrelada ao fato dela comer ou não todos os legumes.
Comportamento – De umas semanas pra cá ela, que estava super calma, passou a se rebelar elevada a décima potência. A pirraça está fora de controle. Está muito agressiva não só fisicamente (bate, morde e belisca, coisa que ela já tinha parado de fazer), mas também verbalmente (diz coisas como “você é feia e boba”; “eu não quero mais você” e coisas do gênero). Ela entende que bater machuca e faz de propósito. Ela também sabe que está falando coisas feias, porque te encara desafiadoramente. Fora que tudo o que pede já é gemendo ou manhosa. Não sei exatamente o que está acontecendo, e acho que tem um probleminha rolando aí. Mas também acho que, como ela sabe se expressar melhor e entende um pouco mais os seus sentimentos, tenta manipular a gente. De qualquer forma essa história vai render próximos capítulos.
E por aí? Como você está encarando os terrible threes?
Imagem: Freedigitalphotos.net