Escrevo esse post aqui na casa da Patricia, que gentilmente me convidou pra curtir o jogo Brasil x Camarões com a família dela. O segundo tempo começou agora e já está 3 x 1 Brasil. Confesso que o placar não me emociona. Mas não é porque o time está jogando mal (ou assim estão dizendo). É mais uma indiferença mesmo.
Acho que vale a pena dizer que eu acho futebol um saco, inclusive em época de Copa. E agora, solteira, não me sinto mais na obrigação de nem fingir que eu ligo. Mas, ao mesmo tempo, como sou eu que estou com a Vicky desde os primeiros jogos do Brasil, aceitei o convite da Paty por culpa. Uma culpa de que eu deveria incentivar minha filha a ter algum espírito esportivo, ou algo que o valha.
Mas eis que eu estou aqui, mais interessada no cachorro-quente, nas esfihas e caipirinha que o sobrinho da Paty fez animadamente, do que no jogo. Estou sentada ao lado do presunto cru, enquanto todo mundo está de olho na telinha e agora que digito essas linhas, rezo pra minha nutricionista não ler que eu já comi mais do que deveria.
E eu vim. Cheguei atrasada, mas não peguei trânsito. Cheguei com cara de sono, mas o dever cívico materno falou mais alto, até porque não assistimos aos dois primeiros jogos. E estou me divertindo um bocado, com um monte de amigos queridos. Mas o futebol mesmo está passando ao largo. E eu, que queria que Victoria assistisse ao jogo, perdi meu tempo, porque ela e Adam não estão dando a menor bola e estão mesmo é adorando a companhia um do outro bem longe da sala, onde um monte de adulto xinga, grita, ri e os assusta com a barulheira.
Isso só provou mais uma coisa pra mim: que essa coisa de culpa materna é das neuroses mais bestas que a gente desenvolve com o nascimento da maternidade. E provou também que a gente cria um monte de expectativas nessa vida e no fim acontece tudo ao contrário.
E por aí? Alguma mãe também não liga pra futebol e preferia aproveitar o tempo livre e os feriados fora de hora pra colocar o sono em dia? Alguma mãe está se obrigando a participar da festa para incentivar o pequeno futuro torcedor? E tem criança aí que acha que participar da Copa é só colocar a camiseta do Brasil comprada no camelô do bairro e continuar brincando e vendo Peppa na TV?