Se o seu filhote está contemplando o desfralde, esse post pode te dar algumas boas dicas para uma abordagem diferente. Note bem que eu usei a expressão “filhote contemplando o desfralde” e não “você contemplando o desfralde”. Por que, de verdade, quem decide se o momento chegou é a criança e não o adulto.
O desfralde, assim como o desmame, ultrapassar a fase dos objetos de transição, de dormir na cama dos pais por insegurança, são processos naturais para todas as crianças. E é importante lembrar que a faixa etária na qual esses processos devem acontecer é um bocado elástica. Nem todas as crianças desfraldam entre dois e três anos. Alguns mais cedo, outros mais tarde e nosso papel, como pais, é observar o desenvolvimento neurológico e emocional de nossos filhos para entender se, de fato, eles estão prontos.
O que diz Montessori sobre o desfralde
Na abordagem montessoriana, o papel dos pais é apenas observar e fornecer recursos para que as crianças passem pelo desfralde de forma independente. Nosso objetivo não é treiná-los, mas apoiá-los.
Mas como faz?
- O desfralde é gradual
Esqueça as regras malucas de que uma criança desfralda em três dias, uma semana, um mês. Não existe essa de estipular um prazo. Para que criar uma ansiedade na família? Deixe que o processo seja natural e gradual. OBSERVE o ritmo da criança.
Comece falando naturalmente do motivo de se usar o banheiro para fazer xixi e cocô. Explique que a gente se livra daquilo que nosso corpo não precisa. Que é um processo normal. Não precisa também fazer caretas na hora de trocar a fralda, como se, de alguma forma, fosse errado ou negativo fazer cocô e ele ser fedido. Não há necessidade dessa negatividade em relação as funções corporais.
- Eles são curiosos e querem copiar os mais velhos
Quando a criança começa a ficar curiosa em relação ao vaso sanitário, invista em um penico simples. Ele vai ficar curioso para sentar e imitar o resto da família, antes mesmo de conseguir controlar efetivamente a bexiga e o intestino.
Crianças começam a se interessar pelo banheiro após um ano de idade. O barulho da descarga, a vontade de brincar com a água. Tudo é novo. Dê adeus para sua privacidade, mas com um pinico no banheiro, eles começam a se interessar em imitar o que você está fazendo no vaso sanitário.
- Eles aprendem mais sobre o ritual
Lá pros 18-24 meses (talvez até mais cedo, se eles forem muito independentes) eles passam a se interessar a puxar suas próprias calças para cima e para baixo. Invista em calças de elástico e fraldas de treinamento. Eles começam a aprender que é mais gostoso estar sequinho e passam a reclamar de fralda suja.
Nessa fase, você pode lentamente ensiná-los o RITUAL: puxar para baixo suas calças, sentar no vaso sanitário ou penico, usar o papel higiênico, puxar para cima suas calças, lave o banheiro e lavar as mãos.
- Organize o espaço e deixe-o ser independente
Uma vez que a criança está mostrando interesse no ritual do desfralde, o banheiro pode ser organizado para dar à criança o máximo de independência possível.
Caso use o penico, não o deixe solto pela casa, como um brinquedo. Mantenha-o no banheiro para que ele saiba que ali é o lugar de fazer xixi/cocô.
Para facilitar a sua vida, guarde no banheiro uma uma pilha de panos para limpeza, um balde para roupas molhadas, e uma pilha de calcinhas/cuecas limpas.
Nesse momento de inevitáveis acidentes, é importante que a criança ajude a pegar calcinhas/cuecas sequinhas, jogue no balde a roupa molhada. Quando a criança é envolvida no processo, ela se torna parte da solução.
Dicas de como apoiar o seu filho
- Se decidir usar um redutor de assento ao invés de penico, compre um banquinho para que ele possa subir mais facilmente e depois apoiar os pés.
- Incorpore o banheiro na rotina da criança. Oferecer o penico ou redutor em momentos em que a criança normalmente faz xixi, por exemplo, ao acordar, antes de sair, quando chega em casa, após o almoço, antes das sonecas, etc.
- Diga “É hora de usar o banheiro” em vez de “Você quer ir ao banheiro?” (A resposta será sempre não). Também pode usar um despertador em intervalos regulares para lembrá-lo.
- Não force a barra. Causa contrariedade e resistência.
- Nunca repreender. Aja naturalmente. “Percebi que você está molhado. Vamos trocar de roupa?”. Deixe-o ajudar a se lavar/secar e a trocar de roupa. Sempre estimulando a independência.
- Não celebre demais. Ir ao banheiro é algo natural para todos. Sei que você está feliz, mas precisa bater palmas? (eu sei que você quer, todos nós queremos, mas imagine que a criança, que só quer ser aceita, passa a ir ao banheiro somente esperando uma recompensa?)
Para Montessori o conselho mais importante é: siga o seu filho.
Imagem destacada: Shutterstock Bartosz Budrewicz