Mundo Ovo

O mais difícil de ser mãe é que ninguém é apenas mãe


Sim, somos mães, mas continuamos filhas. Precisamos equilibrar essa delicada balança de ouvir bons conselhos e criar nossos filhos de um jeito novo: o nosso jeito. Resistir ao apelos dos avós para revogar o último não (“ah, tadinho dele!”) ao mesmo tempo em que devemos deixar as portas escancaradas para o mimo excessivo, delicioso e permissivo que só um avô e uma avó sabem dar.

Somos mães e também esposas e namoradas. Depois de uma noite em claro cuidando do filho, com os cabelos desgrenhados, o corpo menos em forma e a roupa mais desleixada é preciso levantar, tomar um banho, estampar um sorriso no rosto e se fazer bonita e desejada. E no final da noite, quando o cansaço bater, lembrar que romantismo não brota, a gente cultiva.

Somos mães e profissionais, e por mais que a saudade aperte ao longo do dia, não devemos nos sentir culpadas. Tudo bem gostar de trabalhar, tudo bem se sentir realizada profissionalmente, tudo bem chegar em casa alguns dias depois que o filho estiver dormindo, e tudo bem chorar baixinho ao lado do berço.

Somos mães e amigas. Não podemos nos fechar dentro de casa e viver apenas em função dos filhos e do marido. Para o bem do casamento, é preciso reclamar em outros ouvidos. Para o bem dos filhos, é preciso prestar atenção em outras histórias. E para o bem da gente mesmo, é preciso morrer de rir e falar bobagens.

Somos mães e temos sonhos, alguns que são apenas nossos e de mais ninguém. Lugares secretos para a gente se refugiar nos momentos mais difíceis, quando temos que ser ao mesmo tempo mãe, filha, esposa, profissional, amiga, mulher e bate aquele desespero que não vamos dar conta…

Somos mães, somos mulheres, nós vamos dar conta.