A maioria de nós já teve este dia de culpa. O sentimento vem forte em dias de cansaço extremo. Sabe como é? Acordou mais cedo do que gostaria. E tonta de cansaço deu uma topada na mesinha de cabeceira. O mais velho acordou com febre, você tem uma reunião e a sua mãe está atrasada pra ficar com o seu menor, que, voilà, acabou de derrubar a mamadeira na sua única camisa limpa. Você, finalmente, sai de casa meia hora mais tarde do que deveria, senta no seu carro e, exausta, se lembra que o seu dia ainda está só começando. E é nesse momento, entre lágrimas que você chega a conclusão que você não nasceu pra esse troço de ser mãe.
É claro que existem mulheres que não nasceram pra serem mães. Algumas não tiveram filhos e outras tiveram. Mas, de verdade, se você investe parte do seu precioso tempo pra ler o Mundo Ovo diariamente, ou mesmo esporadicamente (obrigada!), isso significa que você se importa em ser uma boa mãe. E essa é toda a prova que você precisa para entender que você nasceu SIM para ser mãe.
Não vou dizer pra você não entrar nessa viagem ao fundo do poço da culpa. Afinal, apesar da roupa brilhante de Mulher Maravilha, somos humanas, meninas. E a gente erra, se cansa, fica de saco cheio de marido, filho, mãe, sogra, irmão e cunhada. E fica com inveja das amigas que tem mais dinheiro, mais paciência, mais glamour. E fica com mais inveja ainda daquela atriz que tem filho e no dia seguinte já perdeu os 38 quilos que ela ganhou na gravidez. E continua linda, saltitando e participando de um evento com tapete vermelho na semana seguinte. E você continua chorando no banheiro seis meses depois.
Obviamente que estou exagerando para melhor efeito dramático. Mas a verdade é que alguns dias são mais difíceis do que outros. Nesses momentos, depois de se banhar nas lagrimas e na sua culpa, que você deve se lembrar de dias mais leves. (E comer uma panela de brigadeiro).
Pra voltar a ficar feliz, eu gosto de me ater aos pequenos detalhes, pequenezas e vitórias da minha filha: o primeiro dia da semana em que ela dormiu a noite toda na própria cama; quando ela passou a se esforçar para trocar o L pelo R; quando ela passou o dia inteiro usando seu penico sem errar, quando ela se aninha nos meus braços e me beija 10 vezes contando cada um deles, só para provar que ela já sabe contar ate 10. E mais tantas outras miudezas que eu quase explodo de amor.
E quando esse sentimento tão forte, tão materno me atinge, eu jogo a culpa longe e me arrependo imediatamente de sequer ter pensado que eu, logo eu, essa mãe espetacular que eu me tornei, poderia ter nascido para qualquer outra coisa que não fosse ser mãe. (Nessas horas, não recomendo modéstia).
Que hoje não seja um desses dias. Que hoje o dia tenha começado sereno, com direito a beijos, abraços e cinco minutos a mais para brincar de boneca ou bicicleta com seus pequenos. Que esteja todo mundo saudável, de roupa limpa, que seu companheiro esteja contente e que seus projetos pessoais estejam bem encaminhados.
E que se hoje for um desses dias cheios de fúria, culpa e frustração, que você possa encontrar um pouco de conforto nas nossas palavras e desabafe um pouco com a gente aqui nos comentários Porque somos garantia de ombro amigo todos os dias.
Imagem: Armando Maynez