Pelo direito dos bebês chorarem em paz

As mulheres passam a gravidez inteira ansiosas para ver o rostinho do bebê. Ficam imaginando se os olhos vão ser iguais aos do pai ou se vai puxar as covinhas da mãe. Já eu passei a minha gravidez curiosa para saber como seria a personalidade daquela pessoinha que crescia ali dentro. Enquanto esperava, comecei a conversar com a barriga. Primeiro falava baixinho quando estava sozinha e achava um pouco estranho. Nos últimos meses de gestação, falava em tom normal na fila do mercado. E assim foi estabelecido nosso primeiro canal de comunicação, através da voz.

Depois de 40 semanas falando em um monólogo, finalmente estava chegando a vez de ele responder. E foi assim. Antes que eu o visse ou o tocasse, ouvi a sua voz. A chegada dele nesse mundo foi anunciada pelo choro, como um bater de pratos na orquestra, me acordando para a nova vida que começava. Para mim o choro tem esse significado: nascimento, vida.

Quando escutava aquele chorinho nos primeiros dias, ainda na maternidade, pensava: então essa é a sua voz, menino? Essa é a voz daquele bebê que estava esse tempo todo na minha barriga?

Antes de ele me ver com clareza, antes que ele conseguisse segurar meus dedos, antes dele atrair minha atenção com um sorriso, antes que ele começasse a balbuciar, ele chorava. Foi a primeira forma de comunicação que ele encontrou. Ele chorava e eu ia atendê-lo. Eu gostava de ouvir aquele chorinho e poder confortá-lo. Para mim o choro tem esse significado: comunicação.

Por todos esses motivos, na nossa vidinha o choro sempre foi encarado como uma coisa natural. Mais bem-vindo durante o dia, um pouco menos durante a noite, claro. Mas era um alívio saber que se alguma coisa estivesse errada, meu filho teria meios de me avisar.

Resolvi escrever sobre isso porque tenho notado que ultimamente muitas mães ficam constrangidas e irritadas além da conta com o choro dos seus filhos. Claro que criança berrando em um restaurante é chato à beça. Criança chorando por horas a fio com cólica é um pavor. Nada deixa uma mãe mais impotente do que a impossibilidade de poder consolar um filho.

Mas às vezes vou visitar uma amiga em casa, o bebê choraminga e a mãe constrangida começa a pedir um milhão de desculpas e dizer que não entende o que está acontecendo, que a criança é ótima e nunca chora. E eu sempre penso: uma criança é ótima por não chorar? E existe criança que não chora? Coitada, como ela faz quando está com fome?

“Não sei o que está acontecendo. Ele não é assim”, jura de pés juntos a mãe aflita.

Ele é assim, sim. É um bebê. Vai chorar até aprender a falar. E depois que aprender, se tudo der certo, vai continuar chorando também. Algumas vezes de tristeza, outras de alegria…

 

Crédito de imagem: iskir

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5 Comentários

  1. Mariana Campello
    21 de Maio de 2012 at 22:47 — Responder

    Muito bom, Mari! Estou aprendendo a lidar com o choro da nenem e a lidar com a maneira com que os outros lidam com o choro da minha nenem.
    É isso mesmo, a vozinha dela. E a gente comeca a entender e gostar dela.
    Beijos pra voces. To gostando muito!

  2. Mariana
    22 de Maio de 2012 at 11:27 — Responder

    Que bom, Mari! É um aprendizado diário mesmo. Beijo nas duas.

  3. Jhuly
    22 de novembro de 2013 at 20:23 — Responder

    Muito bom! Adorei esse post

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